08 janeiro 2018

Foi como em um sonho.

Ele bateu as 16:40 na minha porta, havia aparado o cabelo e a barba, vestia-se de preto e jeans básico. Suas botas estavam com um pouco de terra molhada, pois acabara de chover na cidade, estava a pé e sem guarda-chuva, o molhado da chuva se misturava com o suor. Estava cansado, correu até minha casa durante exatos 10 minutos, o que é suficiente pra chegar até lá. Desci do carro e fui de encontro a ele com o coração quase saindo pela boca. Em menos de 2 metros de distância, eu finalmente acordei. 
No dia seguinte ele estava lá de novo, dessa vez não tinha chuva, era verão ensolarado. Estava com cabelo e barba aparados e as mesmas botas de combate. Não tive tempo de reparar no que estava vestindo pois corri ao seu encontro. O abracei. Sussurrei em seu ouvido que havia sentido que aquilo iria acontecer. "Eu sonhei que você vinha" eu dizia. "Eu sabia, eu sabia que ia cortar o cabelo e a barba". Riamos e nos abraçávamos. 
Foi tão real. Mas eu também acordei. E todos os dias se repete, como uma tremenda tortura, eu chego e você está lá me esperando, eu abro os olhos e não está.
É apenas um sonho. 

26 dezembro 2017

São quase duas da manhã e eu deveria estar dormindo.
São quase duas da manhã e o que vem à memória é que a essa hora estivemos entre conversas e brigas.
Discussões, risadas e um desejo  incontrolável,, mas algo não me deixava encontrar-lhe nas madrugadas.
Medo.
Medo de nunca mais me livrar do seu cheiro, do seu gosto e do seu rosto me pedindo pra ficar.
Mas ó, mesmo assim, eu não esqueço de nenhum detalhe.
Das pintas a cicatriz.
São quase duas da manhã, vou esquecer essa paranoia e vou dormir agora.



05 dezembro 2017

"O viver, sem ter amor, não é viver"

Aquela ferramenta do facebook que mostra o que aconteceu no mesmo dia há anos atras é uma das melhores coisas que já inventaram pra essa rede social. 
Até pouco tempo atrás, eu não sei o motivo, eu não tinha acesso às lembranças do passado que esse aplicativo disponibiliza. Eu ficava puta, porra, por que só comigo não dava certo?! Talvez tenha me poupado de muitas lembranças boas, mas de fato sei que muitas me desestabilizaria por completo. 
Hoje eu vejo o quanto isso é perturbador. Às vezes espero ansiosamente pra dar meia noite, pra que vire o dia e que eu possa saber o que eu fiz naquele dia há 5, 4 anos atrás ou até mesmo 1 ano, tanto faz. 
Sei que tanta coisa mudou, e quase nada mudou. Olhando de fora tudo é tão diferente, enquanto eu tento ser tão igual quanto era desde que me conheço por gente grande. 
Ontem, 4 de dezembro, me ocorreu uma lembrança tão linda e sincera, ela dizia em uma música coisas que eu sempre tive certeza. 
"O poeta só é grande se sofrer.
(...)
Todo grande amor, só é grande se for triste."
Eu sempre acreditei nisso. 
Sobre o poeta, não existe colocação mais verdadeira. Acho que nunca escrevi nada tão sincero quanto nas vezes que estava à beira da loucura. O fundo do poço, por vezes é o lugar mais propício para encontrar inspiração e transforma a mágoa nas palavras mais bonitas. 
Sobre o amor, eu espero um dia chegar a discordar (afinal não há nada mais lindo do que um amor sem feridas), mas ainda não posso afirmar. 
Quando não há sofrimento, quando não passamos por provações a todo momento, questionamos a profundidade desse sentimento. 
O aconchego, a confiança, o cuidado, não são suficientes? São eles que deviam representar esse sentimento tão banalizado. E não a dor, jamais a dor. Mas, é ela que mantém o poeta vivo, e ele que escreve, com tanto ardor, sobre amor.