08 maio 2016

Direto do bloco de notas

Quero abrir os olhos, olhar a tela do celular, ler conversas e culpar alguém por estar mal. A vista está embaçada, os olhos pequenos e pesados de tanto chorar, o travesseiro molhado. Nem me fale a dor de cabeça que fica depois. Nossa, fazia tanto tempo. 

Estou gastando todas as minhas energias sendo forte, todo meu fôlego lutando contra tudo. Contra o chefe mala, um problema de família, uma crise existencial. É uma dor insuportável, diária e persistente. Mas eu estou mantendo as aparências, mostro minha força e escondo a tristeza, e o pior, de mim mesma. 

Mas hoje não, hoje eu desabei. Hoje me deixei voltar no tempo pra ser a menina sensível que sempre fui e que eu nem  lembrava que ainda existia. Eu desabei. E quando a gente desaba, ah, é tanta coisa que a gente não sabe qual onda nos derrubou. E essa onda foi tão devastadora que o mar vai ficar de ressaca o resto da semana, com muito mais força. 

09 março 2015

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Hoje é um daqueles dias que acordo cheia de vontade! De voltar a dormir, claro. Tudo que eu queria era perder a hora, acordar febril, ficar à sós comigo, assistindo um filme que me faça chorar feito criança, aquele que eu sempre assisto em dias como esse.
Tentei aproveitar cada minuto de sono antes de levantar e enfrentar o dia, porque a noite foi mal dormida, e bem usada pra bagunçar e atormentar a mente.
E aquela sensação de que a qualquer momento algo ruim possa acontecer, cutuca, não para de encher o saco. Tento esquivar, penso em outras coisas, escrevo, leio, jogo Candy Crush - o pior jogo de celular já inventado da história (e eu ainda não consegui me preparar psicologicamente para desinstalá-lo)
É segunda-feira, com cara de segunda-feira. E o dia se arrasta devagar. Agora estou cheia de vontade mesmo, pro dia acabar. 

24 fevereiro 2015

Alcoonteceu.

Eu me lembro vagamente de como adormeci ou menos ainda como fui parar naquele quarto estranho e desconhecido. Corri os olhos pelo cômodo procurando minhas roupas e a vergonha na cara, notei que as roupas estavam espalhadas por todo canto, a vergonha teria largado em alguma esquina antes de entrar ali, talvez no penúltimo bar.

Mas quer saber? Não fiz questão alguma de encontrá-las depois de recordar os motivos que me levaram até aquele lugar. Você. Você e uma noite incrivelmente louca. E você me olhava, como quem havia feito isso a noite toda, sutil e cuidadosamente. Sorri e me espreguicei. Diante daquele olhar, enfim, tive algumas certezas. Uma delas é que eu não lembraria realmente de muita coisa que tenha acontecido, que a noite passado havia sido insana - como toda sexta-feira - e que tudo aquilo tomaria um rumo totalmente inesperado.

Soube que tudo iria mudar, mas não sabia onde chegaria. Não importa. O que teve alguma relevância naquela manhã foi o que eu senti. E eu senti que apesar das loucuras, álcool a beça, risadas e ressaca, havia algo naquele momento e naquele olhar que te eternizaria em mim. E foi assim, aconteceu.