13 novembro 2017

Cabeça erguida, mãos atadas

Hoje eu vou mudar o corte de cabelo e comprar um batom vermelho. 
Vou colocar pra tocar meu dvd preferido e cantar a noite toda.
Amanhã, na véspera do feriado, eu vou ao karaokê (o meu lugar favorito no mundo) e vou cantar todas as músicas que me fazem dançar. 
Semana que vem eu viajo pra outro país e viajarei de avião pela primeira vez, já na outra semana estarei muito ocupada procurando algum curso de inglês ou de teatro. Desde criança o meu sonho é fazer teatro. 
Eu já cotei 5 academias de lutas pra começar a descarregar a minha energia em um tatame. 
Pretendo ficar com a mente e o corpo cem por cento ocupados, e talvez assim, e só assim no meio da noite eu não acorde pensando em você.
Talvez a minha insônia vá embora de vez pelo dia cansativo e se eu manter minha mente longe de tudo que me faz lembrar ou me faz querer voltar atrás pra te encontrar eu não tenha mais tempo para pensar em você. 
Pode ser que, como de praxe, sua lembrança vá anular qualquer coisa nova que eu me disponha a fazer pra te esquecer. 
Afinal há duas semanas que paro em cada bar de esquina pedindo uma bebida forte pra ver se a amnésia da bebedeira tira o seu sorriso da minha retina. 
Nem isso. Você está vivo dentro de mim, como jamais nunca esteve. Mas eu sigo, ando pelo shopping, compro um vestido novo e continuo à procura de encontrar um jeito de me bastar. 

31 outubro 2017

Adeus você

Você diz que vai embora, que vai levar contigo o pouco do doce que me restava da vida, diz que na mala não vai levar nem a saudade e me pergunta se por mim tudo bem. Não, não tá tudo bem. 
Não tá nada bem, porque assim que virar pra ir embora a última lembrança que terei será das suas costas e o quanto eu gosto de te observar assim.
Não tá tudo bem porque vou passar noites em claro observando a caixa de mensagem vazia. 
Não tá nada bem porque os cupons do restaurante que guardei pra você conhecer não servirão pra porra nenhuma, você me pediu pra te levar, lembra? É caro mas era um capricho que valia. 
Não tá nada bem porque toda quinta-feira eu vou te esperar no portão, ansiosa pela chegada com um sorriso fácil. 
Não tá nada bem porque vou excluir seu número, mas em  seu endereço eu chego de olhos fechados (e caso eu apareça, ignore). 
Não vou ficar bem porque não consigo assistir filmes diferentes e ouvir musicas novas, tudo que faço me lembram o quanto você é idiota e egoísta, porque não consigo me desprender de quem eu fui com você. Eu parei no passado, estacionei e fiquei. É cruel a vista daqui, parece tranquilo, mas a calmaria me tormenta. Prefiro a sua bagunça, prefiro suas mudanças de humor, prefiro seu furacão à qualquer outra coisa.  
Se você quer mesmo saber se por mim tudo bem, talvez amanhã fique tudo bem, mas hoje, dentro de mim é um abismo silencioso e mais nada que me invadiu e dominou. 

22 outubro 2017

Ficar

Eram quase 23 horas quando bati em sua porta, uma noite chuvosa e obscura. Sai com o carro mesmo com os documentos atrasados e multas acumuladas e fui até sua casa. Você mudou de casa e de rua, mas mesmo naquele lugar pouco frequentado havia lembranças ali impossíveis de abstrair. Fiquei 25 minutos pensando no que dizer, ora pensando em ir embora pra nunca mais voltar. Mas o que me levou até lá era muito mais forte do que minha covardia, ou noção de ridículo.
A verdade é que precisava o ver, por um minuto ou uma hora, e tentar colocar em ordem toda a bagunça de sentimentos que tira minha paz há 4 anos. É muito tempo. Mas ao contraio do que dizem, o tempo não mudou nada aqui dentro, muito menos a sensação que faz cada centímetro do meu corpo formigar ao pensar em você. O tempo não curou. Afinal, curar o que? Não dói, mas a vontade de estar com você, saber sobre você me cutuca de uma maneira tão irritante
Dizem que é saudade. Saudade é quando a gente anda na rua olhando pro lado procurando algum sinal, alguma coincidência? Eu fico a sua procura o tempo todo. Mas honestamente, não é difícil te encontrar, pois tua presença está em todos os lugares, dos quais já estivemos juntos e dos quais nunca sequer nos trombamos. Sabe porque? Por que você está em mim, nas minhas senhas do banco, nos meus sonhos, na minha pele. 
Desci do carro, toquei a campanhia e você me atendeu. 
Não era o que eu esperava, nós dois estávamos tão diferentes que doía no peito. Fechei o cenho pois não consegui demonstrar nenhuma outra expressão. Filho da puta, com um sorriso de filho da puta ele me atendeu. Um sorriso lindo, diga-se de passagem. 
_ Vim pegar o que é meu. 
Precisei arrumar uma desculpa concisa pra bater a porta de alguém a quase meia-noite. Meus livros estavam lá desde quando eu sai da sua vida, e embora eu nem lembrasse os nomes das obras, alguns minutos depois você voltou com os três livros, um laranja, uma amarelo é um que tinha certeza absoluta que não era meu. Agradeci, virei-me e fui embora com uma súbita vontade de dizer:
_ Vim entregar o que é seu. 
E ficar.