01 outubro 2013

Mais uma, por favor.

Tenho bebido tanto ultimamente, que minha mente não mais distingue minha sobriedade da minha embriaguez  e meus pés, a todo momento se vêem propícios a tropeçar e me fazer rolar escada a baixo. Tropeço nos meus próprios pensamentos e me vejo novamente, frustrado, mais uma tentativa em vão. Mais uma sexta-feira, debruçado no bidê, sem saber ao certo o que aconteceu, mas com a certeza de que a tentativa de esquecer aqueles cabelos dourados, por vezes um pouco embaraçados, que se desatava o nó do lado esquerdo do meu peito, não deu muito certo.
Encomendei naquela bebida cara, um amor que me inove, cabelos negros que me cativem, algum sorriso que me ilumine, mas era sua bebida preferida, você a bebia e ria - gargalhava -, como se não houvesse amanhã, enchia minha alma de alegria. Tão dispersa, tão minha.
Ah! Garota, você é uma ressaca sem fim.
Bebo, pra me preencher, pra me transbordar, pra esquecer. Esquecer da vergonha da ultima noite, esquecer que isso nunca funciona, esquecer aqueles cabelos dourados, por vezes bem penteados, mas que se embaraçavam quando a tirava pra dançar o meu dois pra lá, dois pra cá. Esquecer todas essas manias que já sei de cor. Mas como já disse, e repito porque a verdade nunca é demais, tudo é tão em vão. E eu só me preencho de dor de cabeça e um mau-hálito inconveniente. E me transbordo mesmo é dessa garota, e de todas os ridículos atos que sua ausência me obriga a fazer. Essa garota, ah, ela é uma ressaca infinita. 

Um comentário:

  1. Ah, legal o texto, gostei!
    Tem pessoas que bebem tanto que ver coisas que nunca existiu, tropeçam na própria imaginação. E depois na ressaca, Deus do céu, é horrível. Eu acho!

    http://destinoincertoo.blogspot.com.br/

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