22 janeiro 2014

Sobre não ter-te

Untitled
Ainda anseio pelo o dia, um dia qualquer, que eu mal me lembre de você, simplesmente olhe para o lado e o veja, mesmo que de longe, ou por favor, muito de perto. Para fixar meus olhos no fundo dos seus e logo em seguida desviá-los com as bochechas mais rosadas que um alcaçuz. Só para perguntar "Como vai por aí?". E responder que por aqui nada mudou ou que tudo mudou, omitindo em um sorriso simpático e pouco contagiante as verdades tantas sobre mim. Sentir o hálito que me fez viciar em seus beijos, aqueles que passeavam macios pelo meu rosto, do canto da orelha á ponta do nariz. Para ver o coração bater, latejar, martelar muito mais forte do que o normal, quase á rasgar o peito, á falhar a voz ou quase escorrer ás lagrimas. Porque só de escrever ou imaginar, calafrios rodopiam minha mente no vai e vem dos meus desejos que urge caminhar em teu corpo, embriagar-me em teus carinhos e reviver dos teus sorrisos.
Ainda que uma ideia tão vaga esteja tão distante do real, eu continuo no ponto de onde eu nunca sai, do lado de fora relembrando tentando não lembrar, que aliás, você também nunca deveria ter saído. O mesmo lugar do ponto final, onde agora olho e não o vejo, situo e não me encaixo, do 'adeus' ocultado num breve beijo de até logo, o nunca mais.
Anseio por esse dia para que eu possa dizer entrelinhas que eu trocaria tudo por uma vírgula, uma miserável vírgula, para me dividir ao meio, para fugir desse abismo que existe entre eu e você. Para brindar após uma pausa um novo e único começo, um começo que mal começou, péssimo terminou. Queria olhar agora pro lado e ouví-lo dizer que se dispõe a trocar aquele ponto final por reticências eternas, me perguntando se estou com fome e se quero alguma coisa de dentro do mercado, tudo ao redor nos reunindo, eternizando-nos.

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