12 agosto 2014

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De repente, tudo muda e nada faz sentido algum novamente. Você se deparou com o desconhecido e se segurou o quanto pode, fez de tudo para calar qualquer grito desesperado que o coração ousasse martelar em seus pulmões cansados.  Mas você não calou nem o sussurro, deixou renascer uma esperança inocente, que chega a ser cruel a forma como tudo se desfechou. Você não silenciou. Arrombou a porta, escancarou as janelas e esperou que o sol invadisse sua casa, o seu peito, esperou que o sol iluminasse aquelas paredes mofadas, que tirasse o odor de móveis velhos, dos quadros de dores antepassadas. O que te invadiu foi uma tempestade de granizo, chuva e um vento gelado, doloroso. Uma tempestade na qual não aparentava ser passageira. A ventania fazia suas janelas baterem desesperadas nas paredes, pedindo para serem fechadas e trancadas. Trancadas para sempre, embora você saiba que, uma hora ou outra, você a abriria de novo com a mesma esperança infantil no olhar.

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