08 agosto 2014

Entre despedidas e chás

Esse último trago é para me despedir, cof cof. Eu me despeço de quem fui e de quem eu me tornara quando esteve por perto. Mas dessa vez é diferente, sou eu quem viro as costas, sou eu quem tranco a porta para os olhos vermelhos e as gargalhadas sem sentido, viro as costas pra você e pro seu mundinho de merda. Mais um trago, cof cof, aos poucos, a fumaça branca faz minha cabeça e tudo começa a girar, já sinto vontade de não me mover, de fazer com que o tempo pare. Mas, dessa vez é diferente. 

Nós dois (ou três) estamos a sós pela última vez, e não é tão ruim quanto imaginei, falamos algumas coisas sem sentido, damos risadas sem parar pra pensar que estou indo embora, não só daquela casa, mas daquela vida, daquele eu que não existirá mais. Cof, cof (Essa tuberculose instantânea é a parte que mais odeio). 

Gesticulando devagar, explico meus motivos mais uma vez, enquanto você tenta me convencer que ainda somos parecidos, embora saiba que tenho motivos suficientes para tê-lo deixado há muito tempo. No entanto, eu sempre sentia uma monofobia, um medo inexplicável de ficar  só com um eu que desconhecia. Cof. Besteira não acha? Penso nisso e uma gargalhada me descontrola. Pra quê tanta inocência? Mais gargalhadas e você não entende nada, chega uma hora que eu também não entendo, mas quem se importa? 

Quase uma hora da manhã e ainda estamos aqui, olhos predominantemente vermelhos e a garganta seca, ninguém chorou até agora. Mas chegou o momento de nos livrarmos dessa história, do que nos prendeu aqui até hoje e de quem eu fui. Você me oferece mais um trago, eu aceito e queimo os lábios pela última vez, pela última ponta. 

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