04 agosto 2014

Quando você passa

Quando você chega, na boca um sorriso meio torto, no canto do olho um brilho de empolgação. Enquanto eu ainda tento fugir e desviar pra esquerda, pra direita, pra onde seu olhar aventureiro não me alcance. 

Quando você fala, e fala sem parar, das coisas que te prendem atenção e roubam seus minutos. E eu, já não consigo desviar o olhar. Não consigo dizer nada, paraliso meu mundo no seu, ouço só a sua voz e perco o ar em alguns momentos, prendendo as borboletas no estômago, para não vomitá-las em palavras sobre você. 

Quando você solta a fumaça do cigarro, aliviado, como se aquele ultimo trago tivesse tirado o peso do mundo de cima das suas costas. Enquanto eu, tossindo, observo seu mundo, sem me importar na bronquite de amanhã.

Quando você vai, com a promessa de um "até amanhã", na pressa de um compromisso de adulto, e se despede com a vontade de ficar num abraço apertado. Enquanto meus braços te convidam pra morar ali ou então pra voltar, mas o mais rápido que puder. 

Quando você abre a porta, fecha, entra e diz que vai ficar. E então se aproxima devagar, olha fixamente em meus olhos, sussurra e me ganha. Eu me despindo de qualquer pudor, te chamo pra mais perto. Nesse momento, ata-se um nó em nossos corpos, minhas vontades, meus movimentos e o meu eu já não me pertencem mais. 

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